Mesmo com a redução de cerca de dois milhões de usuários, a retração econômica e aumento do desemprego os planos tiveram lucros exorbitantes
O lucro das operadoras de planos de saúde atingiu R$ 6,2 bilhões em 2016, o que representa um crescimento de 70,6% em relação a 2015. O faturamento chegou a R$ 158,3 bilhões, enquanto os custos foram de R$ 125,5 bilhões, os dados são da própria Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que autoriza os repetidos aumentos aos usuários para garantir os lucros exorbitantes das empresas.
Mesmo com a redução de quase dois milhões de usuários, a retração econômica e aumento da taxa de desemprego de 2016, os planos, com ajuda da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), tiveram lucros exorbitantes. O setor é formado por cinco modalidades de convênios médicos: autogestão (plano de saúde da própria empresa contratante), cooperativas médicas, seguradoras de saúde, medicinas de grupo e filantrópicas.
A Qualicorp, que tem uma carteira de 4,5 milhões de beneficiários, teve alta de 27,6% no lucro líquido do quarto trimestre sobre o mesmo período de 2015, para R$ 78,4 milhões. O resultado veio com aumento de 10,8% na receita líquida do período, para R$ 515,5 milhões, apesar de uma queda de 10% na carteira.
A Seguros Unimed conseguiu mais que dobrar seu lucro líquido, em comparação com o ano anterior, o salto foi de 116% no período, um resultado positivo de R$ 105 milhões. O valor representa um retorno de 13,62% para as cooperativas e os médicos cooperados acionista. A companhia atende 6 milhões de pessoas e conta com 1150 funcionários diretos.
Já a Central Nacional Unimed (CNU) mais do que triplicou o lucro líquido no ano passado. O resultado saltou de R$ 31 milhões em 2015, para R$ 100,3 milhões em 2016. CNU encerrou 2016 com um total de 1,5 milhões de usuários, uma redução de 20% do total.
REAJUSTES
Como isso foi possível?
Bem, não é muito difícil explicar, mês passado, por exemplo, a ANS autorizou que o reajuste dos convênios médicos individuais em 13,55%, que afeta na prática oito milhões de usuários. O índice pode ser aplicado entre maio de 2017 e abril de 2018, sendo válido para os planos de saúde contratados a partir de janeiro de 1999 ou adaptados à Lei nº 9.656/98. Este tipo de plano representa 17,2% do total de 47,5 milhões de usuários pela saúde suplementar no Brasil.
O reajuste é mais do que o triplo da inflação oficial medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA), que atingiu no acumulado em 12 meses 4,08%.
No ano passado, nos contratos coletivos de até 30 beneficiários, a ANS autorizou aumentos médios de 16%, mas chegou a autorizar reajustes em até 37,8%.
A política “regulatória” ANS está beneficiando os grandes grupos hospitalares, a indústria farmacêutica multinacional, entre outros, em detrimento dos usuários, e conta com o reforço da abertura do mercado brasileiro de saúde para o capital estrangeiro. Nesse momento da conjuntura brasileira isso se torna mais grave, são milhões de trabalhadores desempregados e no subemprego, é no mínimo indecente o lucro das operadoras.
12/6/2017
Fonte: http://www.pplrs.org.br/index.php?conteudos=noticias/ler_noticia.php&codigo=938